
Depois da revolução no mercado musical, a Internet pode estar iniciando uma outra mudança no cenário cultural, dessa vez na leitura. Assim como as pessoas estão deixando de comprar CDs para baixar músicas gratuitamente, o mesmo fenômeno seria observado entre os livros?
Gabriela de Amorim Gonzaga é uma leitora assídua. Freqüentadora de bibliotecas, a estudante de administração chega a ler um livro por dia. Agora, Gabriela rendeu-se à leitura online. A idéia partiu de um colega de trabalho que aproveitava o tempo livre entre as tarefas para ler no computador. “Baixar livros na Internet é gratuito, tem vários idiomas e um livro no pen drive pode ser levado de um canto a outro sem peso nenhum”, explica.
O estudante de informática Rafael Vieira Gomez chegou ainda mais longe: ele costuma ler pelo celular. “Eu prefiro ler no celular, pois com ele posso ler em qualquer lugar. Por exemplo, deitado na cama com a luz apagada. O celular está sempre comigo”, afirma o estudante.
Já Letícia Brugger prefere os livros impressos, apesar de também cursar Informática. “Eu prefiro comprar os livros, pois normalmente gosto de relê-los. Não acho que é a mesma coisa ler um livro de verdade e ler no computador, porque sinto que canso muito rápido lendo no computador, enquanto se o livro for impresso posso passar o dia inteiro lendo”, pondera a estudante.
Esse é o argumento de muitas pessoas que defendem a permanência do livro impresso contra as investidas da Web. Gabriela ressalta que só lê no computador por causa das circunstâncias favoráveis. Mas, para ela, ler um livro impresso faz toda a diferença. “Parece inexplicável, mas quando leio um livro impresso, eu entro mais na história, de verdade. Eu me sinto muito feliz olhando para a minha estante cheia de livros ou entrando numa livraria para folhear”, afirma Gabriela, que garante que voltará aos hábitos antigos assim que tiver mais tempo livre. “Você pode ler um livro no ônibus, no metrô, no consultório médico, na rede... Isso o computador não faz”, afirma a estudante.